Descubra o funcionamento do aparelho brasileiro que transforma água suja em potável

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Cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo, o equivalente a mais de um quarto da população global, ainda não têm acesso seguro à água potável, de acordo com o Relatório Mundial da UNESCO sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. No Brasil, esse problema afeta aproximadamente 33 milhões de pessoas, o que é ainda mais preocupante considerando que o país possui a maior reserva de água doce do mundo.

Diante dessa escassez e desigualdade no acesso à água, a startup brasileira PWTech, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu uma tecnologia sustentável, portátil, de baixo custo e fácil utilização, capaz de purificar até 5 mil litros de água por dia: o PW 5660. Esse equipamento funciona como uma mini estação de tratamento e é capaz de tornar potável a água contaminada de rios, poços, açudes, represas, lagos e até mesmo da chuva.

O PW 5660 possui aproximadamente 80x50x40 cm de tamanho, pesa cerca de 15 kg e é composto por uma “caixa” principal onde estão os filtros, conectada a uma placa fotovoltaica que fornece a energia necessária para o processo de purificação. O sistema é simples e não exige muita infraestrutura externa. Basta encher um reservatório com água imprópria e conectar a mangueira do equipamento, que irá devolver a água já tratada por outra mangueira na extremidade oposta da máquina.

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Dentro do PW 5660, a água contaminada passa por três etapas de filtragem. A primeira etapa utiliza um filtro de malha que retém partículas maiores, como folhas e galhos. Depois, a água passa por um filtro de areia que remove resíduos menores, como areia e limo. A última etapa é a utilização de um filtro de carvão ativado, que elimina as impurezas químicas e orgânicas restantes. Por fim, a água filtrada passa por um purificador de ozônio, que a torna completamente própria para consumo.

O consumo de energia e a produção de água potável podem ser monitorados em tempo real através do sistema PWFlow, desenvolvido pela PWTech em parceria com o Instituto Senai de Tecnologia e o Sebrae. Além disso, o equipamento fornece parâmetros relacionados à qualidade da água, como pH, nível de cloro, turbidez e temperatura, através de sensores. Os dados coletados são armazenados em nuvem e podem ser acessados a qualquer momento pelo celular ou computador, permitindo que os usuários acompanhem o funcionamento do equipamento e identifiquem possíveis problemas.

O PW 5660 já foi utilizado com sucesso em diversas situações, como fornecer água potável para cerca de três mil moradores da Ilha do Bororé, em São Paulo, que consumiam água de poços contaminados. Também foi usado para ajudar cerca de 150 mil pessoas afetadas por um terremoto no Haiti em 2021 e para fornecer água potável a cerca de 13,5 mil pessoas na Faixa de Gaza, através de uma parceria com a Agência Brasileira de Cooperação.

Essa tecnologia desenvolvida pela PWTech mostra-se como uma solução sustentável e eficiente para o problema global da falta de acesso à água potável. Com o monitoramento em tempo real e a capacidade de purificar grandes quantidades de água, o PW 5660 pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

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